Inovadores com Menos de 35 Anos Brasil A edição em português da MIT Technology Review escolhe aos 10 inovadores com menos de 35 anos

Danielle Brants, 31

Ela desenvolveu um jornal digital que traduz as notícias para a linguagem infantil

Guten Educação e Tecnologia

Danielle Brants. Crédito: Livia Goro

No Brasil há uma expressão muito comum que diz que “ler é uma viagem”. Para Danielle Brants, criadora do jornal digital Guten News, a leitura é mais do que viajar: é uma meta de vida. Graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2013 ela embarcou numa aventura pelo universo da leitura infantil.

Com o excesso de informações e temas complexos, nem sempre a leitura de um jornal tradicional consegue despertar o interesse de crianças e adolescentes. Para incentivar o gosto pela leitura e o aprendizado por meio de fatos reais, a startup de educação Guten desenvolveu um jornal digital interativo que traz notícias na linguagem infanto-juvenil. Utilizando jogos, missões e atividades, o aplicativo também ajuda os leitores infantis a ampliarem sua compreensão dos textos.

De acordo com dados divulgados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil ocupa a 55ª posição do ranking mundial de leitura. Entre os estudantes avaliados, 49,2% deles não alcançaram o nível 2 de desempenho, que representa dificuldades para deduzir informações, estabelecer relações e compreender diferentes nuances da linguagem. 

Foi pensando em melhorar estes números que Danielle fundou, em janeiro de 2015, o Guten News. Menos de um ano depois, o serviço já chegou a 4 mil usuários, em quase 30 escolas do Ensino Fundamental, que adotam o Guten News como uma ferramenta de leitura dentro da sala de aula.

“O nosso crescimento tem sido expressivo, pois lançamos o aplicativo no início de 2015 na plataforma iOS e só o disponibilizamos na web em agosto de 2015”, conta Danielle.

Antes de se dedicar ao empreendimento, Danielle foi Diretora Associada de Novos Negócios da General Electric (GE), onde ficou por mais de dois anos.

“Essa experiência, somada às prévias, foi essencial na minha formação profissional: na GE eu aprendi a lidar com pessoas com as mais variadas experiências e perfis profissionais, aprendi a analisar mercados que nunca tinha visto antes e tomei consciência da complexidade envolvida na criação de um negócio. Foi fantástico. Mas não era para mim. Eu continuava insatisfeita pois não achava que estava investindo os meus talentos em algo realmente transformador”, conta Danielle.

Depois de muita reflexão, ela decidiu pedir demissão da GE e “pular no vazio”.

“Eu não sabia o que ia fazer, mas precisava parar para planejar o meu futuro de forma estruturada. Por seis meses, pesquisei, viajei, li muita coisa, falei com muita gente. Eu tinha uma meta: a cada dia, conhecer uma pessoa nova, com uma experiência diferente da minha”, lembra.

A partir daí a jovem foi construindo, diariamente, sua decisão de empreender em educação; uma conjunção de fatores e análises a levaram à decisão que julga a mais acertada em sua carreira.

“Você não decide empreender em um ‘estalo’ súbito. A decisão de empreender, para mim, foi resultado de um processo que envolveu fatores racionais e também emocionais: passou por uma análise setorial, sobre as necessidades dos clientes, sobre a importância da educação para a transformação do país – e passou também pela minha motivação para ser agente dessa transformação e investir os meus esforços e talentos em algo que eu acredito com todas as minhas forças”, conta.

Daqui pra frente ela prevê muito trabalho e muitas realizações. Ela tem consciência do tamanho do desafio a que se propôs, num país que ainda não desenvolveu o hábito da leitura.

“O poder transformador da leitura é algo em que acredito desde pequena. O ato de ler pode levar uma pessoa sem recursos financeiros para um novo mundo: com um livro, você pode viajar para mundos novos, conhecer novas realidades e teorias. Saber ler é uma das formas mais democráticas de ampliar as fronteiras de vida do indivíduo”, diz ela. “Tristemente, nossos jovens são sim alfabetizados, sabem decodificar as letras, mas não sabem compreender o significado dos textos, não conseguem extrair sentido do que leem. As estatísticas estão aí para fundamentar essa constatação”.

Para Carlos Ganem, da diretoria de Projetos Estratégicos da Finep, Danielle é instigante e audaz e tem uma crença forte no fazer a partir do sonho e da solução de problemas cruciais para a sociedade.

“O empenho em abraçar o novo com consequência a fez abandonar uma carreira fadada ao sucesso, ganhos assegurados. Ela mudou para apostar em um empreendimento de vulto e de alto grau de relevância social. Seu compromisso é emblemático e ela traz a verve dos desbravadores e o sonho do inovador!”, finaliza Ganem.-Elis Monteiro

Ganhadores do Inovadores com menos de 35 anos Brasil

Diego Aranha

Criou uma plataforma para que a sociedade fiscalize o resultado das eleições

Danielle Brants

Ela desenvolveu um jornal digital que traduz as notícias para a linguagem infantil

Marcelo Cicconet

Desenvolveu um aplicativo para facilitar o aprendizado da música e um novo instrumento musical

Tallis Gomes

Desenvolveu um aplicativo de táxi que revolucionou a mobilidade urbana

Anielle Guedes

Ela criou uma startup que vai usar impressão 3D para construir moradias de baixo custo

Mateus Mendonça

Criou um sistema para rastrear e organizar a cadeia do lixo usando a tecnologia

Fabio Piva

Criou uma nova tecnologia para o comercio móvel que permite às lojas físicas eliminarem as filas

Ronaldo Tenório

Criou uma plataforma de tradução para a linguagem de libras

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