Inovadores com Menos de 35 Anos Brasil A edição em português da MIT Technology Review escolhe aos 10 inovadores com menos de 35 anos

Mario Adolfi, 27

Ele desenvolveu um programa de gestão hospitalar para cuidados à saúde em populações carentes

Kidopi

Mario Adolfi

Quando ainda era criança, Mario Adolfi vivenciou as continuas visitas de seu irmão ao hospital devido a problemas respiratórios. Isso o fez refletir sobre a importância de uma assistência médica eficiente na vida de pacientes e suas famílias. Quase duas décadas mais tarde, este graduado em Informática Biomédica da Universidade de São Paulo lançou o HealthBI, um programa de gerenciamento de dados científicos na área da saúde.

Em 2009, Adolfi começou seu primeiro grande projeto dentro de sua empresa recém-formada, Kidopi, que consistiu na criação e implantação do primeiro sistema de coordenação de emergências médicas baseada na internet na cidade de Ribeirão Preto com foco em uma população de mais de um milhão de pessoas. Este projeto melhorou a eficiência e aumentou a segurança da coordenação dos serviço de saúde pública na região e tornou-se a base para a organização de sistemas de emergência em todo o estado de São Paulo.

Esta primeira experiência foi o que o levou a desenvolver o programa HealthBI. Adolfi explica: "Pensamos que era importante combinar dados médicos com a ciência de dados para alcançar uma gestão inteligente." No final de 2012, o jovem pesquisador estava com o programa pronto, possibilitando aos administradores hospitalares saber em tempo real sobre diferentes indicadores para tomar a decisão correta. Estes dados criam um ambiente de gestão inteligente que pode identificar eventos adversos com antecedência.

Com esta ferramenta Adolfi tentou dar aos gestores a capacidade de identificar pontos ineficientes, planejar ações para atender a demandas futuras e otimizar o fluxo de pacientes nos hospitais. O programa HealthBI tem sido usado como um modelo para a posterior implementação de programas de gestão hospitalar no Estado de São Paulo. Além disso, ele foi eleito pela ONU como o melhor software do Brasil na categoria saúde digital e o representante do Brasil na fase internacional do concurso World Summit Award. Adolfi diz: "Eu acho que nós temos uma ferramenta capaz de oferecer tratamentos mais eficientes, ágeis e específicos para toda a população."

Novas Fronteiras

O sucesso do HealthBI nos hospitais levou Kidopi a explorar outras áreas da saúde, como assistência primária. Para enfrentar o desafio de adaptar e ampliar o programa, em 2013, Kidopi se juntou à aceleradora Artemisia e tem buscado financiamento adicional. O objetivo para a atenção primária é se concentrar no atendimento integral e no monitoramento contínuo, em especial no tratamento de doenças agudas e crônicas. HealthBI proporcionará um cuidado precoce, preventivo e participativo, ou seja, irá aproveitar as experiências de uso de médicos e pacientes para corrigir erros.

Com essa finalidade, ele tem buscado alianças nos setores mais afetados pela diferença no acesso aos serviços públicos. Por exemplo, ele tem colaborado com um projeto piloto em um programa local de habitação, cujo objetivo é a realização de reformas qualitativas acessíveis em favelas, com foco na melhora da qualidade de vida.

Este novo projeto que Adolfi propõe como extensão do HealthBI consiste em melhorar o algoritmo do programa para incluir a prevenção de doenças crônicas e os alertas por mensagens de texto. Mais especificamente, ele servirá para enviar avisos aos pacientes e garantir que seus tratamentos sejam continuados, bem como para promover hábitos saudáveis, organizar visitas de pacientes crônicos, identificar e priorizar as necessidades das famílias e controlar os fatores de comportamentos de risco.

A ideia é criar uma extensão do software de forma que a primeira versão ainda possa ser utilizada separadamente. Resumindo, esta nova ferramenta dará mais autonomia ao paciente e aumentará a adesão ao tratamento. O uso desta tecnologia de comunicação liga estas informações aos consultórios médicos, permitindo que eles ajam para impedir novas internações, controlando os fatores de risco e melhorando a adesão ao tratamento. Adolfi garante que, apesar da já existir no mercado outro software de gestão "Kidopi já é adaptado à realidade brasileira."

O novo projeto de Adolfi é uma oportunidade para melhor atender a população que não tem acesso a medicina familiar e mantém os objetivos iniciais do programa: buscar um serviço de saúde pública mais eficiente, acessível e inteligente, que torne os cuidados mais rápidos e melhore os recursos disponíveis. Os módulos do HealthBI têm em comum a tarefa de transformar a informação em ferramentas de prevenção e controle. Isso possibilitará que redes hospitalares economizem recursos financeiros e prestem um serviço melhor aos pacientes, reduzindo o risco de complicações.

A tecnologia desenvolvida pelo jovem pesquisador é baseada em inovações na área de computação avançada, inteligência artificial, aprendizagem de máquina, reconhecimento de padrões, processamento de linguagem natural e muitas outras técnicas que ajudam a resolver problemas reais, como a melhoria dos cuidados a doenças crônicas em bairros de baixa renda.

De acordo com o investidor de risco da General Catalyst Partners (EUA), Niko Bonatsos, membro do júri do MIT Technology Review inovadores com menos de 35 Brasil, no projeto deste jovem "a questão-chave é como fazer que seja uma parte fundamental do trabalho de todas as partes interessadas a necessidade de que o Big Data deslanche na assistência  à saúde", e acrescentou: "Se for bem sucedido, este pode transformar a prática da medicina". - María C. Sánchez (Tradução: Elisa Matté)

Ganhadores do Inovadores com menos de 35 anos Brasil

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Ele desenvolveu um programa de gestão hospitalar para cuidados à saúde em populações carentes

Eduardo Bontempo

Ele criou uma plataforma de ensino adaptativo para personalizar o ensino em escolas e universidades

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