Negócios

Uma fábrica de da Apple na Índia? Não conte ao Trump

O presidente eleito pode querer levar a fabricação para a América, mas a Apple parece ter outras ideias.

  • Quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
  • Por Jamie Condliffe
  • Tradução por Elisa Matte (OPINNO)

Enquanto Donald Trump está forçando a indústria de tecnologia americana a mudar os esforços de fabricação de volta para os EUA, parece que a Apple não recebeu o memorando: está aparentemente considerando a criação de uma fábrica na Índia.

O Wall Street Journal informa que a Apple está em discussões com o governo indiano sobre fabricar produtos no país. De acordo com fontes do jornal, a empresa afirmou seu desejo de fabricar lá, mas está buscando "incentivos financeiros para avançar".

O plano faz sentido. A Apple não tem muita penetração no mercado na Índia, em parte porque não tem suas próprias lojas lá. Mas as regulamentações no país impedem as empresas estrangeiras de se instalarem, a menos que adquiram 30% dos materiais para serem fabricados no mercado interno. A Índia não está preparada para entrega peças para o iPhone, então a criação de uma fábrica resolveria o problema.

Uma fábrica modesta - provavelmente, como certamente seria mais uma instalação de montagem do que qualquer outra coisa - ajudaria a Apple a crescer na Índia, assim como na China. Mas a economia dos EUA veria pouco benefício além do preço das ações da Apple, dado seu histórico de manter dinheiro no exterior ao invés de trazê-lo de volta para a América e pagar impostos.

Mesmo que a instalação da Apple na índia seja pequena, o presidente eleito não ficaria satisfeito. Trump tem repetidamente pedido a empresas de tecnologia dos EUA para fabricar produtos em solo americano. E ele destacou a Apple, dizendo que ela vai conseguir "começar a fazer seus computadores e seus iPhones em nossa terra, não na China".

Por seu lado, a Apple cita não apenas mão-de-obra mais barata, mas trabalhadores qualificados e fábricas flexíveis como motivações-chave para a fabricação no exterior. E, de qualquer modo, se a Apple transferir a produção do iPhone para os EUA, os iPhones resultantes teriam que ser mais caros.

O emprego nos Estados Unidos teve um impulso no início deste mês, quando a empresa de telecomunicações japonesa Softbank se comprometeu a investir US$ 50 bilhões na América, com planos de criar 50 mil novos empregos. Isso já está começando a se espalhar: o primeiro investimento na lista é de US$ 1 bilhão para a empresa OneWeb, que criará 3.000 empregos. Trump reivindicou crédito pelo investimento da SoftBank, embora o dinheiro venha de um fundo que já estava sendo criado em colaboração com o governo da Arábia Saudita - e pode muito bem ter sido destinado para os EUA, independentemente de Trump.

Apple, entretanto, provavelmente traçará seu próprio caminho. Em uma nota enviada por Tim Cook para sua equipe que vazou para a imprensa, o CEO justificou sua presença na mesa-redonda de tecnologia de Trump na semana passada. "É muito importante [engajar]", explicou. "Os governos podem afetar nossa capacidade de fazer o que fazemos. Eles podem afetá-lo de maneiras positivas e podem afetar de maneiras não tão positivas ... E nós nos envolvemos quando concordamos e nos envolvemos quando discordamos ... Nós muito defendemos o que acreditamos ... E nós continuaremos fazendo isso".

Essas não são as palavras de um CEO que planeja receber ordens de alguém se ele puder evitar isso. Nem mesmo de um presidente.

(Leia mais: Wall Street Journal, TechCrunch, Reuters, “The All-American iPhone”, “Made in America: Asian Tech Giants Say They Will Expand U.S. Operations Under Trump”, "Apple’s Tax Game Is Hurting Economic Growth")

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