Móvel

Na Realidade Virtual, os Anúncios Ficam Na Tua Cara

Algumas empresas veem a realidade virtual e aumentada como uma forma de ganhar dinheiro com um novo tipo de anúncio.

  • quinta-feira, 19 de março de 2015
  • Por Rachel Metz
  • Tradução por Elisa Matte (OPINNO)

Estou sentado em uma cadeira de secretária em um escritório em Mountain View, Califórnia. Mas com um dispositivo de realidade virtual preso na minha cabeça e fones nos ouvidos, me sinto e parece que estou na barriga de um dirigível, voando alto acima de quarteirões silenciosos pontilhados por cartazes de um passeio de parque temático do Meu Malvado Favorito.

O passeio de balão é parte de uma demonstração criada pela MediaSpike, uma startup que está fazendo publicidade em realidade virtual. Até o próprio dirigível é um anúncio: antes de embarcar, eu posso ver que seu exterior é coberto com uma versão gigante de um dos personagens curtos e amarelos do filme.

Por enquanto, a realidade aumentada e virtual não são amplamente utilizadas. Mas à medida que novos dispositivos chegam ao mercado, os anunciantes vão certamente tentar demarcar o terreno virtual.

Empresas como Oculus VR (do facebook), Sony, Microsoft e Magic Leap estão trabalhando em hardware voltado para o consumidor, alguns dos quais estão previstos para chegar às prateleiras no final deste ano. Oculus VR e Samsung já lançaram o Gear VR, um dispositivo de 199 dólares voltado para desenvolvedores que permite que você experimente jogos e vídeos 3D inserindo um smartphone Samsung no dispositivo.

MediaSpike está entre as várias empresas que visam servir marcas que querem anunciar nessas novas plataformas. O fundador e CEO, Blake Commagere, diz que a empresa começou há alguns anos a trabalhar para trazer conteúdo patrocinado para smartphone e jogos baseados em tablets. Agora, a empresa está pensando em como cartazes, vídeos e outros tipos de colocação de produto podem caber dentro dos mundos gerados por computador e visualizados em dispositivos como o Gear VR, ou outros que ainda não têm uma data de lançamento definida.

Imagem: Um outdoor virtual anuncia um passeio no parque temático relacionado com os filmes do Meu Malvado Favorito.

De dentro do dispositivo, ainda parece muito primitivo. Antes do passeio de balão, eu estava dirigindo pela cidade digital da MediaSpike, que é vazia, sem atividade além dos cartazes de cinema, o dirigível e uma tela gigante em uma praça vazia da cidade onde passa o trailer do próximo filme dos Minions. Eu fiquei com náuseas também (uma queixa comum entre as pessoas que utilizam tecnologias 3D devido à desconexão entre sua visão e os demais sentidos). Mas ainda é muito mais interessante do que os banners e anúncios aos quais estamos acostumados a ver em sites e aplicativos móveis.

O grande valor do mercado de publicidade online sugere que poderia ser lucrativo testar esta área. De acordo com Magna Global, um pesquisador e investidor do mercado de mídia, a receita de mídia digital aumentou 17 por cento em 2014 para $ 142 bilhões. Espera-se que esse número suba mais 15 por cento, para 163 bilhões de dólares em todo o mundo este ano.

Airvirtise com sede em Dallas certamente espera que os anunciantes estejam dispostos a tentar alcançar as pessoas dentro das cenas virtuais. Ele está trabalhando em modelos virtuais 3D que são integrados com locais do mundo real, que usa longitude, latitude e elevação – pense em um jogo gigante do Angry Birds em um parque ou um carro virtual em tamanho real no qual você pode andar por aí. Essas coisas seriam inicialmente vistas através de aplicativos de smartphones e, um dia, através das lentes de óculos de realidade aumentada.

Fundador e CEO Kevin Hart descreve o que a empresa vem mostrando no festival SXSW realizado esta semana: um drone gerada por computador aparentemente pairando no ar a cerca de 20 metros de distância, com um banner pendurado nele, visível apenas quando se olha através da câmera de um iPad. À medida que você se aproxima do drone virtual, diz ele, ele fica adequadamente maior, levando em consideração os sensores de movimento do iPad para determinar sua localização e posição, o que lhe permite andar debaixo e em torno dele.

Uma empresa que já teve algum sucesso mesclando anúncios virtuais com o mundo real é Blippar. Um aplicativo para smartphone criado pela empresa pode ser usado para visualizar o conteúdo de realidade aumentada patrocinado, como jogadores de futebol virtuais em latas de Pepsi, ou unhas virtuais que mostram os tons de esmalte da Maybelline.

Certamente muitos desafios ainda estão por vir para as empresas que trabalham para trazer anúncios para a realidade virtual e aumentada. Além da óbvia dificuldade de trabalhar com tecnologias emergentes, Hart e outros devem descobrir a que tipos de anúncios usuários vão responder e quais eles podem achar grande demais ou desagradáveis.

Commagere reconhece que, como acontece com a colocação de produtos em filmes, será possível exagerar com produtos virtuais. (Um exemplo disso ocorreu durante a minha viagem de dirigível, quando me virei e vi uma lata pixelizada de Pepsi empoleirando ao lado do painel de controle da embarcação.) Mas ele está esperançoso de que isso vai parecer menos intrusivo do que pop-ups convencionais e outros tipos de distração que são os anúncios na internet.

"Eu não consigo imaginar ter um banner na parte inferior de uma tela de realidade virtual o tempo todo", diz ele. "Isso seria irritante".

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