Energia

Aposta Ambiciosa da Índia para se Tornar uma Potência da Energia Solar

O governo indiano espera aumentar a capacidade de energia solar em 30 vezes no país até 2020.

  • quarta-feira, 11 de março de 2015
  • Por Peter Fairley
  • Tradução por Elisa Matte (OPINNO)

Imagem: Um projeto de energia solar da SunEdison em Gujarat, na Índia.

O primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, foi parar nas manchetes no ano passado, ao anunciar sua ambição de instalar 100 gigawatts de capacidade em energia solar - mais de 30 vezes o que a Índia tem agora - até 2022. Os céticos notaram a falta de um plano detalhado e de um orçamento, mas algumas industrias cheias de dinheiro parecem ter pego a febre solar de Modi: em uma cúpula de energia renovável chamada por Modi no mês passado ele registrou promessas para 166 gigawatts em projetos de energia solar.

Na cúpula de Nova Deli, gigantes das energias renováveis como First Solar e SunEdison se encontraram pela primeira vez com ministros chefes de estados indianos e altos executivos de conglomerados industriais da Índia, como Adani Enterprises e a National Thermal Power Corporation, maior geradora de energia da Índia.

Tobias Engelmeier, fundador da Bridge to India, uma empresa de consultoria para o mercado solar, diz que a ambição de Modi "mudou a conversa" sobre o potencial solar da Índia. Mas o que vai acontecer em seguida, diz Engelmeier, dependerá apenas em parte do que a estratégia de energia renovável da Modi pode conseguir de dentro do governo central. O incentivo poderia ser uma demanda não atendida da Índia por eletricidade. Um quarto da população da Índia não está conectada à rede de energia e o fornecimento de energia elétrica é cronicamente deficiente para aqueles que estão.

Modi disse à cúpula de Nova Déli que a Índia tinha que "dar um salto qualitativo na produção de energia" e ele disse que a energia solar poderia entregar isso com suas velocidade de implementação e preços em queda - de 20 rúpias (32 centavos) por quilowatt-hora para menos de sete rúpias ao longo dos últimos três anos. "O governo parece realmente acreditar na possibilidade de que energias renováveis e solares possam transformar a Índia", diz Pashupathy Gopalan, presidente da região Ásia-Pacífico para a SunEdison, com sede em Belmont, Califórnia.

Gopalan, cuja empresa já instalou cerca de 200 megawatts em projetos de energia solar na Índia ao longo dos últimos cinco anos, chegou à cúpula de Modi com acordos assinados para a construção de 10 gigawatts de energia solar e eólica nos Estados de Karnataka e Rajasthan até 2020. SunEdison também conseguiu firmar um joint venture com Adani Enterprises para explorar a construção de uma planta de energia solar de silício de US$ 4 bilhões em Gujarat; as empresas dizem que poderiam tomar uma decisão final e iniciar a construção ainda este ano.

First Solar, que até o ano passado era apenas um fornecedor de painéis solares para a Índia, se comprometeu a desenvolver cinco gigawatts de projetos de energia solar até 2020.

Imagem: Uma bomba de água movida a energia solar em uma fazenda indiana.

Em alguns estados indianos, as energias renováveis podem competir com os combustíveis fósseis, mesmo sem qualquer subsídio, pelo menos para os consumidores comerciais e industriais, que pagam as maiores taxas na Índia. Em Mahareshtra, diz Engelmeier, industrias normalmente pagam 10 rúpias ou mais por quilowatt-hora pela energia da rede elétrica, mas os desenvolvedores solares estão vendendo sua energia com lucro por oito rupias por quilowatt-hora.

A empresa de Engelmeier havia relatado em novembro de 2014 que mesmo as instalações de telhado, que custam mais para instalar agora se igualam ou tem taxas melhores que as da rede elétrica convencional para consumidores comerciais e industriais em uma de cada quatro estados indianos, a cerca de oito rupias por quilowatt-hora.

Entre 2012 e 2014, a capacidade de geração de energia solar aumentou de 461 megawatts para mais de três gigawatts na Índia, e Engelmeier projeta que os desenvolvedores vão somar mais dois gigawatts este ano.

Um número crescente de estados, incluindo Rajasthan, Gujarat e Andhra Pradesh, estão arrendando terras públicas para a contrução de parques solares. Isso elimina a necessidade de desenvolvedores solares passarem pelos complicados processos de registros de terras existente na Índia para apoiar suas próprias fazendas solares.

O acesso à rede elétrica está se abrindo em vários estados que têm isentado projetos de energia solar de encargos de repasse de energia. Isso significa que os desenvolvedores solares podem identificar os compradores comerciais e industriais e enviar a energia pela rede de transmissão de forma gratuita. De acordo com Gopalan, isto pode reduzir o custo da energia em 10 a 25 por cento.

Ainda assim, atingir a meta de Modi de 100 gigawatts de energia solar até 2022 exigirá uma reforma mais profunda do setor da energia. A isenção da energia solar do encargo sobre o repasse, por exemplo, deve levar a uma reação por parte das concessionárias de energia elétrica desesperadas para manter os clientes que pagam bem. "As concessionárias são bastante avessas a perder seus bons clientes. Eu não sei como isso ia funcionar em termos de política econômica no longo prazo", diz Gireesh Shrimali, economista na área de energia do Instituto de Estudos Internacionais Middlebury em Monterey, Califórnia, que assessorou o governo indiano sobre políticas energéticas renováveis.

No entanto, as instalações solares distribuídas poderiam realmente ajudar as concessionárias, reduzindo a demanda de seus clientes menos rentáveis: agricultores indianos que recebem energia de graça para alimentar bombas de irrigação. Essa energia gratuita é responsável por 20 por cento do consumo de eletricidade na Índia e é responsável por cerca de US$ 10 bilhões em perdas nos cofres das concessionárias, diz Gopalan.

Solar está bem adaptada ao bombeamento, que não é adversamente afetado pela sua produção intermitente. "Com a energia solar alimentando o bombeamento para irrigação", diz Gopalan, "o setor da eletricidade vai ganhar um bom aumento em seu balanço".

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rodrigons

3 Comentários

  • 754 Dias Atrás
  • 18/11/2016

O Brasil deveria seguir o exemplo da China

O Brasil passa por momento difícil na área de energia. Custos altos e pouca demanda. Creio que se o país seguisse o exemplo da Índia, poderia reduzir os custos com energia e fomentaria uma cadeia de fornecimento no país. Hoje é praticamente tudo importado.  Alguns casos raros como este exemplo aqui (http://www.energyshop.com.br/produto/listar/kit-energia-solar-grid-tie) é possível encontrar produtos nacionais, mas é a exceção.

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