Informática

Moeda Digital Inspirada na Bitcoin para Sustentar um Aplicativo de Economia

Empresa sem fins lucrativos experimenta com o uso de moeda digital para dar a adolescentes pobres sua primeira experiência com serviços financeiros.

  • Terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
  • Por Tom Simonite
  • Tradução por Elisa Matte (OPINNO)

Os defensores da moeda digital Bitcoin frequentemente argumentam que dinheiro feito de códigos de computador poderiam ajudar pessoas pobres a acessar serviços financeiros. Mas as aplicações desenvolvidas até o momento para a tecnologia têm sido quase exclusivamente voltadas para pessoas com acesso à Internet e smartphones. Agora, uma organização sem fins lucrativos Sul-Africana está se preparando para fazer o primeiro real teste com a ideia.

Nos próximos meses, alguns adolescentes de áreas pobres da África do Sul terão a oportunidade de testar um tipo de conta poupança digital operada via mensagens de texto. Ela será oferecida como um novo recurso em um serviço de rede social móvel que as meninas já usam. O recurso vai permitir que as pessoas ganhem e guardem créditos de recarga de celular que é usado, em paralelo ao dinheiro do governo, como uma moeda em alguns países.

Nos bastidores, o novo serviço é alimentado por uma moeda digital chamada Stellar, que foi criada com inspiração nas Bitcoin. Todos os saldos e transferências da conta serão representados usando Stellars, como as unidades da moeda são conhecidas.

Stellars, como Bitcoins, são baseado em um sistema que usa software de criptografia para criar sinais digitais que não podem ser falsificados. Mas a Stellar difere das Bitcoin em que ele é projetada para agir como um intermediário entre as moedas e ativos convencionais, para acelerar as transferências entre eles e não como um meio de pagamento em si. O desenvolvimento da Stellar está sendo realizado por uma organização sem fins lucrativos, a Stellar Development Foundation, com o apoio de US$ 3 milhões da empresa de pagamentos Stripe (veja “Increasing the GDP of the Internet”).

A Fundação Praekelt desenvolve um software gratuito chamado Vumi que alimenta serviços interativos que podem ser rodados por mensagens de texto em telefones sem planos de dados. As organizações humanitárias, como UNICEF, USAID e a Fundação Gates usam o Vumi para oferecer programas de saúde e educação na África e em outros lugares.

O recurso para poupança será oferecido como função opcional de serviços de redes sociais já existentes construídas com base no Vumi e destinados a meninas adolescentes que vivem em situação de pobreza, diz Gustav Praekelt, o chefe da fundação. Para a maioria das meninas será a primeira oportunidade de ter uma conta poupança, diz ele, algo que ele espera que irá ajuda-las a tomar melhores decisões sobre dinheiro.

Testes do serviço estão previstos em vários países. Além da África do Sul, a Indonésia provável será um local de teste de mercado nos próximos meses, diz Praekelt.

O sistema de poupança funciona presenteando as adolescentes com pequenas quantidades de créditos em troca do envio e leitura de mensagens e pela realização de outras atividades na rede social.

Porque o software base da Stellar é projetado para tornar mais fácil, rápido e seguro o fluxo de dinheiro entre empresas e organizações, Praekelt diz que, um dia pode se tornar base para serviços financeiros mais sofisticados. Por exemplo, os governos ou agências de ajuda humanitária poderiam usar Stellars para entregar pagamentos a voluntários, talvez para recompensar a participação em programas de educação ou de saúde específicos.

Por enquanto, a fundação é a única organização de qualquer tamanho fazendo uso de Stellar. Praekelt espera que isso mude após empresas e outras entidades sem fins lucrativos verem o serviço de conta poupança em ação.

No entanto, moedas digitais ainda têm muito a aprender com instituições financeiras convencionais ou empresas de qualquer lugar do mundo. Kentaro Toyama, professor associado da Universidade de Michigan, que estuda tecnologia e desenvolvimento, diz que mesmo que Stellar torne mais fácil de construir novos serviços financeiros para os pobres, eles ainda vão precisar ganhar a aprovação dos órgãos reguladores.

As regras financeiras da maioria dos países tornam difícil para as empresas que não são bancos transferir e armazenar dinheiro, muitas vezes por um bom motivo, diz Toyama. Isso pode ser um problema para as organizações que tentam algo novo, como oferecer serviços de transferência ou de poupança em dispositivos móveis. O sucesso do sistema de pagamentos móveis do Quênia M-Pesa, um garoto-propaganda para a inovação em dinheiro móvel, ilustra o ponto. Ele só foi possível após a operadora de telefonia móvel Safaricom receber aprovação especial dos órgãos reguladores, diz Toyama.

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