Informática

Será que o Genius é Melhor que Tentativas Anteriores de Explicar a Web?

Um site que começou como um lugar para fazer anotações em letras de hip hop acha que descobriu a melhor forma de espalhar as anotação pela internet.

  • terça-feira, 20 de janeiro de 2015
  • Por Tom Simonite
  • Tradução por Elisa Matte (OPINNO)

Tom Lehman tem uma visão de um futuro próximo. Tudo que você vê online, seja a letra de uma música da Taylor Swift ou comunicados do governo, virá com anotações crowdsourced que fornecem comentários de especialistas. Pense nisso como uma camada extra de conhecimento espalhado pelas massas ao longo de toda a internet.

"Onde quer que você esteja vivendo uma cultura, você terá acesso a esta camada de contexto e crítica especializada", diz Lehman, cofundador e CEO da startup Genius. "Todas os tipos de texto e cultura se beneficiam disso".

As ferramentas de anotação colaborativa oferecidas no site da Genius foram usados para melhorar documentos, incluindo obras de Kanye West, Jane Austen, e do Supremo Tribunal dos Estados Unidos. A empresa e sua grande ideia já atraíram US$ 57 milhões em investimentos e uma onda recente de interesse da mídia depois que ele contratou o crítico de música do The New Yorker para ajudar a fazer anotações em letras das músicas. No entanto, em alguns aspectos, a visão do Lehman para o futuro também é história antiga.

Desde os primeiros dias da internet e nos anos do ponto-com e da Web 2.0, uma série de empresas tentou e não conseguiu transformar a anotação de conteúdo on-line uma atividade popular (veja “Standard for E-Comments”). A ideia do Genius não é muito diferente.

A startup foi fundada em 2009 com o nome Rap Genius, um lugar para pessoas fazerem anotações em letras de hip hop. A empresa expandiu sua visão e encurtou seu nome depois de um número significativo de usuários do site – na casa dos milhões – começarem a tentar usá-lo para mais do que letras, diz Lehman. "As pessoas queriam adicionar outros tipos de texto, música e poesia", diz ele.

Lehman diz que as anotações sempre foram uma boa ideia, mas que a tecnologia da internet e a cultura não estavam preparadas para isso. "Para mim, uma grande analogia é o hiperlink", diz ele. "Costumava ser essa coisa assustadora e exótica e agora é apenas parte do texto. É a mesma coisa para as anotações".

John Borthwick, CEO da Betaworks, que fez um dos primeiros investimentos externos na Rap Genius em 2011, diz que as pessoas já estão fazendo anotações em conteúdo on-line, mas eles estão fazendo isso em sites sociais como o Facebook, Twitter, e Reddit. Genius criou uma forma de direcionar essa atividade para o documento online em si, em vez de espalhá-la aos quatro cantos da internet, diz ele.

Mesmo que Lehman e Borthwick estejam certo, tornar essa atividade popular, útil e rentável não será fácil.

Um desafio é que as discussões online abertas a todos, muitas vezes produzem conteúdo juvenil, banal ou vicioso. Para produzir anotações de alta qualidade em todo conteúdo, Genius precisa atrair um grande número de contribuintes e garantir que eles trabalhem juntos de forma produtiva. A tecnologia da empresa permite que as pessoas editem as contribuições de outras pessoas e tenham um sistema de votação para mostrar as melhores edições e anotações. Isso pode gerar resultados de alta qualidade sobre textos que muitas pessoas editaram ou exageraram nas explicações, por exemplo, alusões literárias ou musicais em uma canção. Mas, até agora, as anotações do Genius em outros tipos de documentos são, muitas vezes, ralas.

Wikipedia é o único site de sucesso a ter conseguido gerenciar este tipo de problema antes. Ele reforça o controle de qualidade com um sistema de regras complexas e uma burocracia multicamada de editores com diferentes poderes. Apesar do sucesso dessa abordagem, a Wikipedia ainda produz conteúdo duvidoso ou mal escrito (veja “The Decline of Wikipedia”)

Genius até agora tem apenas uma única e pequena página de diretrizes para colaboradores e um sistema relativamente simples para dar a algumas pessoas o poder de moderar as contribuições dos outros. Ele também permite que as pessoas acumular "pontos de QI" para recompensar contribuições apreciadas pelos outros. Mas ao contrário da Wikipedia, não exige que as pessoas embasem seus comentários em referências.

Aaron Halfaker, pesquisador da Wikimedia Foundation, organização sem fins lucrativos que opera a Wikipedia, diz que a expansão do Genius para além das letras de música pode testar os limites desse sistema. Fazer com que as pessoas façam um bom trabalho sem brigar em, por exemplo, os discursos do presidente Obama, é mais difícil do que para letras de rap, diz ele. Ainda assim, Halfaker está bastante otimista sobre o projeto do Genius. "Eu não estou preocupado com o Genius conseguir usuários tanto quanto com eles tirarem usuários da Wikipedia", diz ele.

Joshua Schachter, um investidor anjo que fundou o site de marcadores sociais Del.icio.us, tem menos certeza. Os órgãos de imprensa e organizações sem fins lucrativos, por vezes, promovem projetos colaborativos de anotação, diz ele, por exemplo, sobre os casos do Wikileaks, mas eles não são muito populares. "É importante, mas não há muitas pessoas lutando para fazer anotações e indexá-los", diz ele. "Não é o foco principal das grandes empresas de capital de risco".

O plano de longo prazo do Lehman também envolve editoras e outras empresas que integram Genius em seus próprios sites. Esta é a forma que a maioria das pessoas vai ver as anotações do Genius, diz ele.

Algumas organizações de notícias têm experimentado o Genius também - principalmente em artigos sobre o próprio Genius. Mas convencer muitos editores a abraçar algo que poderia distrair ou desvalorizar seu próprio conteúdo pode ser difícil.

Isso foi um problema para os esforços anteriores de introduzir anotações à internet. Third Voice, que recebeu US$ 15 milhões em financiamento antes de falir em 2001, e Google Sidewiki, lançado em 2009 e fechada em 2011, ambos encontraram oposição de alguns editores (veja "Taking Back the Web").

Hoje, alguns editores de notícias, como Medium, Quartz, e Gawker, criaram sistemas de anotação de seus próprios. Outros desligaram totalmente o sistemas de comentários.

Acima de tudo isso, Genius não tem um plano firme para transformar o sistema em lucro. "De um modo geral eu diria que tudo está em jogo", diz Lehman. Publicidade tem mais apelo do que cobrar por serviços ou conteúdo, acrescenta ele, mas a empresa não está trabalhando ativamente para trazer receita. Lehman diz que sua prioridade atual está em expandir a pequena equipe de oito codificadores da Genius para construir a tecnologia necessária para cumprir o seu grande sonho.

Parte disso é tornar o sistema de anotação da Genius se integrar de forma harmoniosa a qualquer site, independentemente de como tenha sido construído. Outra coisa é a construção de um sistema que irá ajustar as anotações que diferentes usuários do Genius veem com base em seus interesses ou conexões sociais. Mais à frente, o Lehman quer criar uma maneira para as pessoas adicionarem anotações a vídeos. "Esta é uma empresa que está pensando criticamente sobre cultura", diz Lehman.

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