Biomedicina

Pesquisadores Descobrem Novo Antibiótico em um Monte de Terra

Um novo dispositivo microfluídico permite que cientistas identifiquem um medicamento poderoso da natureza.

  • quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
  • Por Karen Weintraub
  • Tradução por Elisa Matte (OPINNO)

Imagem: Bactérias difíceis de cultivar florescem dentro deste dispositivo microfluídico incubado em uma poça de terra.

Uma caixa de plástico cheia de terra do quintal pode ter aberto caminho para o mais poderoso antibiótico descoberto em décadas.

Usando um novo dispositivo microfluídico para cultivar bactérias de solo, pesquisadores de Boston e Bonn, na Alemanha, dizem ter identificado um novo tipo de antibiótico que mata as bactérias que causam infecções como pneumonia e estafilococos além de infecções do sangue.

O antibiótico, chamado teixobactin, ainda precisa ser testado em pessoas. Mas curou essas infecções em camundongos e é tão diferente de antibióticos atuais que os cientistas, que publicaram suas descobertas na revista Nature, disseram que esperam que as bactérias nunca se tornem resistente a ela.

Outros dizem que a resistência a qualquer antibiótico é inevitável, mas dizem que a descoberta é importante. "Ela traz de volta a noção de que há muitas surpresas à espreita no solo", diz Gerald Fink, um microbiologista do Instituto Whitehead, parte do MIT.

Outros antibióticos importantes, incluindo tetraciclina e estreptomicina, também foram descobertas em bactérias do solo. Mas desde os anos 60, parecia que a terra não nos daria mais de suas defesas naturais. Isto porque a maioria das bactérias presentes no solo não pode ser cultivado no laboratório e estudado.

Os cientistas mudaram para outras abordagens, mas muito poucas novas classes de antibióticos foram descobertos. Com a resistência aos antibióticos cada vez mais comum, no ano passado, a Organização Mundial da Saúde previu que este "vazio de descoberta" poderia levar a uma era pós-antibiótico, em que pequenas lesões e infecções comuns podem se tornar assassinos novamente.

Os pesquisadores descobriram o teixobactin usando uma nova tecnologia para prospecção de solo que foi desenvolvida por Slava Epstein, um biólogo da Universidade de Northeastern, em Boston. Ele desenvolveu um chip microfluídico de dois centímetros que funciona como uma câmara de difusão portátil.

Os pesquisadores diluíram a terra, inclusive com terra de seus próprios quintais, para capturar um único microrganismo em cada um dos 306 pequenos buracos da superfície do chip. Eles, então, colocaram o chip em um recipiente cheio de terra, permitindo que os germes permaneçam em seu ambiente natural.

"Essencialmente, estamos enganando a bactéria", diz Kim Lewis, o diretor do Antimicrobial Discovery Center na Universidade Northeastern, que liderou a pesquisa.

Lewis diz que sua equipe foi capaz de cultivar colônias de bactérias robustas o suficiente para ser transferidas para uma placa de Petri, onde elas podem ser testadas para ver se produzem antibióticos. "Aparentemente, o gargalo no crescimento de bactérias é conseguir a primeira colônia", diz Lewis. "Quando isso acontece, ela se torna domesticada".

Apenas cerca de 1 por cento das bactérias do solo já foram cultivadas, de acordo com os pesquisadores.

Teixobactin parece matar as bactérias através da ligação a uma molécula de gordura que é um bloco de construção de suas paredes celulares. Esse é um mecanismo incomum, diz Tanja Schneider, um pesquisador da Universidade de Bonn, que trabalhou no projeto. Bactérias podem ter dificuldade de desenvolver resistência a ele, se é que vão desenvolver.

Outros cientistas dizem que é pouco provável que qualquer medicamento engane bactérias para sempre. "Não há nenhum exemplo em que a resistência não tenha ocorrido", diz Henry Chambers, diretor de serviços de pesquisa clínica na Universidade da Califórnia, em San Francisco, e especialista em resistência antimicrobiana com Infectious Diseases Society of America.

Ainda assim, se se provar seguro para uso em pessoas, o teixobactin poderia fornecer uma nova arma para os médicos. Um estudo realizado pelo Pew Charitable Trusts em 2014 constatou que apenas 38 novos antibióticos estavam em desenvolvimento por empresas farmacêuticas, apesar de cerca de 23.000 pessoas morrerem nos EUA a cada ano por causa de bactérias resistentes aos medicamentos.

Teixobactin foi licenciada pela NovoBiotic Pharmaceuticals em Cambridge, Massachusetts, que colaboraram com a pesquisa. Lewis diz que vai levar cerca de dois anos até que o medicamento possa ser testado em voluntários.

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