Negócios

Vida Longa a Steve Jobs no Escritório de Patentes

Anos depois de sua morte, o ex-CEO da Apple, ainda ganha patentes.

  • Segunda-feira, 01 de dezembro de 2014
  • Por Antonio Regalado
  • Tradução por Elisa Matte (Opinno)


Imagem: Qual é o legado de Steve Jobs? Aqui está uma estimativa: desde sua morte em 2011 por câncer no pâncreas, o ex-CEO da Apple, ganhou 141 patentes. Isso é mais do que a maioria dos inventores ganha durante a vida toda.

Jobs estava intimamente envolvido nos detalhes de vários produtos da Apple e algumas de suas invenções ainda estão trilhando seu caminho pela US Patent and Trademark Office. O grande número delas reflete os intensos esforços da Apple para patentear todos os aspectos de seus produtos, não importa quão pequeno, algo que o próprio Jobs incentivou.

Ao todo, um terço das 458 invenções e projetos de patente creditadas a Jobs foram aprovados desde que ele morreu.

As patentes de Jobs são um registro da história da Apple de startup a uma das maiores empresas do mundo. Sua primeira patente, aprovada em 1983, é intitulada simplesmente "Computador Pessoal". Uma das mais novas, submetida depois de sua morte e aprovado em agosto, abrange o design do dramático cubo de vidro que está na entrada da loja da Apple na Quinta Avenida, em Manhattan.

Alguns observadores da Apple têm questionado se a Apple pode ter sucesso sem o seu fundador icônico. O atual CEO, Tim Cook, é um especialista em cadeia de suprimentos pragmático que subiu na empresa garantindo que fábricas chinesas entregavam iPhones no prazo. O nome de Cook nunca apareceu em qualquer patente.

No início deste ano, o jornalista Yukari Iwatane Kane, em seu livro Império Assombrado: Apple Depois de Steve Jobs, apresentou o argumento de que a Apple iria parar e desaparecer sem Jobs. Ela argumentou que a Apple, como Polaroid depois de Edwin Land, ou Sony depois de Akio Morita, não iria ter sucesso sem o gênio temperamental que criou produtos "incríveis".

Mas a Apple ainda não esfriou. Anunciou novos produtos promissores como o Apple Watch e um sistema de pagamento, o Apple Pay. E as vendas da Apple continuam a aumentar - a receita anual mais que dobrou para US$ 182 bilhões desde que Cook assumiu.

À medida que a Apple floresce sob um novo líder, uma coisa que poderia ser reavaliada é a importância das invenções de Jobs.

Em 2012, Jobs foi postumamente introduzido no National Inventors Hall of Fame dos EUA. Ele até tem seu próprio museu móvel, "Patentes e Marcas de Steve Jobs: Arte e Tecnologia que Mudaram o Mundo", mais recentemente apresentado na biblioteca pública de Denver.

Mas muitas patentes de Jobs "não fazem dele um dos maiores inventores norte-americanos da história", diz Florian Mueller, programador e consultor em patentes na Alemanha, que tem acompanhado de perto processos envolvendo o iPhone. Ele observa que muitas das patentes de Jobs são relacionadas ao design - como a aparência e sensação do iPhone - não a avanços técnicos mais substanciais.

Patentes de design recebidas por Steve Jobs durante a década de 80 mostram os conceitos do Apple III e do Macintosh.

"Se Steve Jobs foi um grande inventor depende da disposição da pessoa em definir o termo de forma extremamente ampla", diz Mueller. "Estou convencido de que se verdadeiros inventores americanos, como Edison, Bell e Whitney olhassem as realizações e contribuições de Steve Jobs, sem dúvida respeitariam o homem pelo que ele fez, mas não o considerariam parte do grupo".

Uma das críticas é que em suas patentes, o nome de Jobs muitas vezes aparece ao lado de muitos outros, ou seja, essas invenções e desenhos não eram inteiramente criações de Jobs. Em vez disso, Jobs compartilhava o crédito por algo que os mais de 80.000 funcionários da Apple fizeram, algo que Kane argumenta "alimentou sua lenda de ser um dos maiores visionário de todos os tempos".

Tim Wasko, que desenvolveu a interface do QuickTime Player da Apple e do iPod, lembra que Jobs dava feedback sobre pequenos detalhes e que muitas vezes acabava com participação em uma patente. Isso é o que Wasko diz que aconteceu quando ele inventou o conceito de um botão usado no software chamado iDVD. O botão fecha como uma íris, dando-lhe a chance de interromper um processo. "Tinha uma aparência muito legal então ele amou", diz Wasko. "Ele tinha comentários e sugestões úteis e foi justo ele estar na patente".

Inventores falecidos podem ganhar patentes se o processo de aprovação se destaca, ou quando os advogados solicitam "continuação" - essencialmente novas versões de patentes antigas. E quanto mais advogados e dinheiro um inventor tiver, mais provável de seu fantasma continuar assombrando. Os bens de Jerome Lemelson, o inventor independente, por vezes controverso, que inventou o leitor de código de barras, recebeu aprovação de 96 patentes após sua morte em 1997, aos 74 anos.

O nome que está em uma patente é, às vezes, tão importante quanto seu conteúdo, pelo menos isso é verdade para Jobs. Em 2012, durante uma ação judicial com Motorola e Google, um juiz de Chicago teve de ordenar que os advogados da Apple parassem de se referir a uma patente-chave que cobre o deslizar do dedo e a rolagem de telas sensíveis ao toque como "a patente de Steve Jobs". Seu raciocínio: os advogados da Apple estavam tentando transformar o caso em um concurso de popularidade, invocando o amado fundador da Apple. (Jobs foi o primeiro de 25 inventores nomeados nesta patente.)

Mesmo à medida que Jobs ficou doente, os advogados da Apple continuaram enviando pedidos de patente em seu nome a cada dia ou dois, incluindo uma para uma variação da barra de rolagem do Mac em 4 de outubro de 2011, um dia antes de falecer.

E o nome de Jobs ainda está sendo adicionado a novas patentes, algumas das quais oferecem uma janela para seus interesses pessoais, como um super iate de 260 pés, Venus, que ele encomendou e ajudou a projetar. Em março deste ano, uma empresa com sede em Cape Cod, Savant Systems, listou Jobs como o inventor principal em um pedido de patente que cobre a ideia de usar um tablet como o iPad para manobrar um navio.

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