Biomedicina

O Que Mais Lentes de Contato Inteligente Poderiam Fazer?

Além de monitorar o estado de saúde, a tecnologia de lentes de contato em desenvolvimento poderia possibilitar a entrega de medicamentos, visão noturna e realidade aumentada.

  • Quarta-feira, 23 de julho de 2014
  • Por Suzanne Jacobs
  • Tradução por Elisa Matte (Opinno)

Na semana passada, Google e Novartis anunciaram que estão se juntando para desenvolver lentes de contato que monitoram os níveis de glicose e ajustam automaticamente o foco. Mas isto poderia ser apenas o início de uma nova categoria de produto inteligente. Desde a detecção do câncer e entrega de medicamentos até a realidade aumentada e a visão noturna, os nossos olhos oferecem oportunidades únicas para monitoramento e melhoria da saúde.

"Agora é a hora de colocar um pouco de computação e muitas tecnologias miniaturizadas nas lentes de contato", diz Franck Leveiller, chefe de pesquisa e desenvolvimento do departamento de cuidados com os olhos da Novartis.

Um dos protótipos da lente Novartis-Google contém um dispositivo do tamanho de um grão de purpurina que mede a quantidade de glicose nas lágrimas. Uma antena sem fio, em seguida, transmite os resultados para um dispositivo externo. Ele foi projetado para tornar mais fácil a rotina de diabéticos que, caso contrário, teriam de furar o dedo para testar o nível de açúcar em seu sangue.

"Tenho muitos pacientes que estão gerenciando a diabetes e eles descreveram como tendo um emprego de meio período. É muito trabalhoso acompanhar", diz Thomas Quinn, que é chefe do departamento de lentes de contato e córnea da Associação Americana de Optometria. "Disponibilizar uma maneira de o paciente poder fazer isso com mais facilidade e retomar um pouco de sua vida é realmente emocionante".

A glicose não é a única coisa que pode ser medida de uma lágrima em vez de uma amostra de sangue, diz Quinn. Lágrimas também contêm uma substância química chamada Lg (Lacryglobin) que serve como um biomarcador para câncer de mama, cólon, pulmão, próstata e ovário. O monitoramento dos níveis de Lg poderia ser especialmente útil para pacientes com câncer que estão em remissão, diz Quinn.

Quinn também acredita que a entrega de medicamentos pode ser outro uso para futuras lentes de contato. Se uma lente puder dispensar medicamentos lentamente ao longo de grandes períodos de tempo, seria melhor para os pacientes do que as doses curtas e concentradas entregues por colírios, diz ele. Mas, essa lente não é fácil de fazer (veja "A Drug-Dispensing Lens").

A lente com foco automático está em um estágio inicial de desenvolvimento, mas o objetivo é que ela ajuste sua forma dependendo de onde o olho está mirando, o que seria especialmente útil para pessoas que precisam de óculos de leitura. Um protótipo atual da lente utiliza fotodiodos para detectar a luz que chega ao olho e determinar se o olho está virado para baixo. Leveiller diz que a equipe também está analisando outras técnicas possíveis.

Google e Novartis estão longe de ser os únicos interessados em incrementar as lente de contato com essas novas capacidades. Na Suécia, uma empresa chamada Sensimed está trabalhando em uma lente de contato que mede a pressão intra-ocular resultante do acúmulo de líquido nos olhos de pacientes com glaucoma (veja “Glaucoma Test in a Contact Lens”). E pesquisadores da Universidade de Michigan estão usando o grafeno para fazer lentes sensíveis a raios infravermelhos - a ideia, pode-se dizer, é que um dia estes dispositivos possam fornecer alguma forma de visão noturna sem o equipamento volumoso atualmente usado.

Enquanto isso, uma empresa com sede em Seattle, Innovega, desenvolveu uma lente de contato com uma pequena área que filtra bandas específicas de luz vermelha, verde e azul, dando aos usuários a capacidade de focar uma tela muito pequena, de alta resolução a menos de uma polegada de seus olhos, sem interferir com a visão normal. Isso faz com que pequenos monitores ligados a óculos se pareçam mais com telas IMAX, diz o CEO da empresa, Steve Willey. Juntos, a lente e os monitores são chamados iOptik.

Muitos desafios ainda precisam ser superados antes de todos nós sairmos por aí com uma visão noturna que monitora a glicose, detecta câncer e entrega medicamentos. Alguns protótipos existentes são muito grossos, Quinn diz, e alguns usam eletrônica tradicional e rígido onde alternativas transparentes e flexíveis seriam preferíveis. E, é claro, tudo isso terá que passar pelo crivo regulamentar para mostrar que são seguros e eficazes.

Jeff George, o chefe do departamento de cuidados com os olhos da Novartis, está certamente otimista sobre as lentes inteligentes do Google. "A equipe do Google X se auto-intitula 'fábrica de milagres'. Eu diria que é ainda melhor que isso dado o que vimos até agora", diz ele.

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