Informática

Será que a Realidade Virtual Vai Mudar o Mundo dos Documentários?

Um documentarista acredita que uma experiência de imersão vai resultar em uma impressão mais duradoura sobre o público.

  • Segunda-feira, 07 de julho de 2014
  • Por Simon Parkin
  • Tradução por Elisa Matte (Opinno)


Imagem: Vida não real: Cineasta Nonny de la Peña usa um headset de realidade virtual equipada com luzes para ajudar a rastrear movimento.

Aquisição do Oculus VR pelo Facebook em março de 2014 por 4 bilhões de dólares trouxe de volta para a atenção do público o interesse na realidade virtual, quase 30 anos depois de a tecnologia ter entrado pela primeira vez na consciência pública. E, enquanto o foco inicial da Oculus VR era em jogos de videogame, Mark Zuckerberg, o CEO do Facebook, descreveu o hardware como "a próxima grande plataforma de computação que virá depois dos dispositivos móveis".

Nonny de la Peña concorda com essa afirmação. O jornalista veterano, ex-correspondente da Newsweek e colaborador regular do New York Times, passou os últimos sete anos tentando provar que a realidade virtual vai mudar o jornalismo. Seus esforços demonstram que a realidade virtual pode oferecer uma forma nova e convincente de comunicar e informar - mas também revelam alguns dos desafios envolvidos na re-criação de eventos reais em um ambiente simulado.

De la Peña fez vários documentários de realidade virtual imersiva, incluindo o Projeto Síria, sobre as crianças refugiadas na Síria, que foi encomendado pelo Fórum Econômico Mundial, e Fome em Los Angeles, um filme sobre o acesso a bancos de alimentos nos EUA que estreou no Festival de Sundance, em janeiro de 2012.

"Eu começo com vídeo de uma testemunha ocular, áudio e fotografias e, em seguida, reconstruo cuidadosamente um evento com animações de alta qualidade, modelos do ambiente e paisagens sonoras espaciais para criar uma experiência em primeira pessoa dos eventos", explica De la Peña.

Os espectadores usam óculos de realidade virtual com um amplo campo de visão e são capazes de caminhar livremente em torno do meio ambiente, que é processado em 3D. Eles são livres para escolher onde olham e para onde se movem, mas não são capazes de afetar a natureza linear da narrativa não ficcional.

Para De la Peña esta abordagem envolvente intensifica e altera o entendimento e as emoções humanas com relação à notícia. Ela se atraiu pelo meio a primeira vez que experimentou a realidade virtual em Barcelona. "Eu sabia que nunca mais conseguiria voltar para a mídia tradicional usada para contar histórias como filmes ou textos", diz ela. "A intensidade da experiência é tão única que me tornei permanentemente motivada a contar histórias importantes desta forma".

De la Peña é um ex-colega de classe do criador do Oculus Rift, Palmer Luckey (veja "10 Breakthrough Technologies 2014: Oculus Rift"). Em 2012, os dois estudaram com Mark Bolas, um pesquisador que dirige o Laboratório de Realidade Mista, Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade do Sul da Califórnia (USC). Fome em Los Angeles foi, de fato, criado com a ajuda de Luckey e outros alunos da USC.

De la Peña descreve seu trabalho como "jornalismo de imersão". Enquanto o trabalho é mais desafiador do que a reportagem tradicional - gerenciar equipes de animadores, designers, modeladores de personagens 3D e equipes de som - ela insiste que o meio baseia-se nas mesmas habilidades e esforço necessário para todo tipo de jornalismo forte. "O material original capturado em eventos reais é necessário para realmente fazer essas matérias funcionarem", diz ela, "e isso sempre toma bastante tempo e esforço se você está usando uma plataforma tradicional de notícias ou a realidade virtual".

Jornalismo de imersão está sujeito às mesmas preocupações éticas que os jornalistas que trabalham na mídia convencional enfrenta,. "Nós jornalistas precisamos ter certeza de que as melhores práticas jornalísticas são aplicadas na criação destas matérias e que o público aprenda a ver a realidade virtual com um pensamento crítico", diz De la Peña.

Apesar das semelhanças em diligência e processo, ela tem experimentado resistência de alguns setores, incluindo colegas que acreditam que o jornalismo não deve ser experimentado em uma plataforma que, até o momento pelo menos, está tão intimamente associado a jogos de videogame. Mas aqui De la Peña ecoa a afirmação de Zuckerberg de que a realidade virtual pode ser muito mais do que uma plataforma de entretenimento interativo. "O declínio da leitura de jornais e a ascensão dos jogos de videogame na cultura abrandaram atitudes sobre o jornalismo de imersão e a possibilidade de utilização de plataformas de realidade virtual para alcançar novos públicos. As ideias que eu liderei e as técnicas que empreguei parecem estar ganhando aceitação generalizada".

Enquanto a realidade virtual ainda tem que ganhar momentum significativo, De la Peña tem visto um aumento significativo do interesse em seu trabalho. "Por muitos anos, foi um pouco solitário para mim, como uma das únicas jornalistas a construir notícias imersivas dessa forma", diz ela. "Agora que há interesse, é emocionante ver os outros se juntarem à minha área".

De la Peña recentemente recebeu um financiamento para a produção de uma série de novas matérias, tanto no estilo documentário como ficções narrativas imersivas. "Depois de tantos anos empurrando essas ideias morro acima é impressionante a rapidez com que tudo está acontecendo"

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