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Porque a Qualcomm Está Apostando na Saúde Sem Fio

Uma das maiores fabricantes de chips do mundo está ajudando a instigar um boom de dispositivos sem fio para a saúde.

  • Terça-feira, 01 de outubro de 2013
  • Por Jon Cohen
  • Tradução por Elisa Matte (Opinno)

Asthmapolis tem um sensor GPS para inaladores que usa um rádio Bluetooth para que as pessoas com asma possam controlar onde e quando eles precisaram de ajuda para respirar. CleverCap, que é anexado a frascos de comprimidos, pisca e emite um sinal sonoro quando é hora de tomar a medicação e então, através de Wi-Fi e redes celulares, relata à Internet se as pílulas foram tomadas. O Garmin monitor frequência cardíaca colocado sobre o peito comunica digitalmente bips e blips com mais um protocolo sem fio, chamado ANT-plus.

Essa é apenas uma fração dos dispositivos para a saúde sem fio que chegam ao mercado da "saúde móvel", dispositivos que poderiam um dia ser tão onipresentes quanto celulares. Mas este não é um ecossistema perfeito: estes três dispositivos só usam três protocolos de comunicação diferentes. A potencial inundação de dados oriundo desses dispositivos pode muito bem desaparecer na internet se não forem armazenados, organizados e acessíveis para as pessoas certas, em tempo real.

Qualcomm Life, lançado há dois anos como uma divisão da gigante das telecomunicações baseado em San Diego, a Qualcomm, está construindo software e protocolos que poderiam trazer alguma ordem ao caos dos dados de saúde. Seu primeiro produto, chamado de 2net Plataform, é um sistema para tirar dados sem fio desses dispositivos e tranferí-los para servidores de Internet de seus clientes, como os fabricantes de dispositivos para a saúde ou hospitais.

Cerca de metade dos adultos americanos têm algum tipo de doença crônica, incluindo obesidade, artrite ou diabetes, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Os dispositivos sem fios podem permitir que mais dos seus cuidados com a saúde acontecam em casa. Para os defensores da saúde móvel, como Don Jones, chefe de marketing global e estratégia da Qualcomm Life, isso significa que as visitas desnecessárias às clínicas e salas de emergência vão despencar, as pessoas vão aperfeiçoar o seu uso da medicina e os médicos e enfermeiros terão mais tempo para se concentrar em seus pacientes mais necessitados. O relatório da PricewaterhouseCoopers deste ano estima-se que a tecnologia móvel de saúde poderia ajudar os países desenvolvidos a poupar $400 bilhões de dólares em 2017.

Sentado em seu escritório na decididamente mundana Sorrento Mesa - sem vistas deslumbrantes para o mar de San Diego - Jones tira o primeiro dispositivo da divisão, o 2net hub, uma caixa branca de aparência simples que é aproximadamente do tamanho de uma lâmpada e que se conecta a uma tomada na parede. A caixa resolve um determinado problema: as pessoas muitas vezes não aproveitar as capacidades sem fio de seus dispositivos para a saúde. Por exemplo, uma balança de banheiro pode ser equipada com Bluetooth, mas nunca transmite todos os dados se o proprietário não concluir o processo de configuração, chamado de emparelhamento. "Se você já emparelhou alguma coisa sabe que não é um processo complexo, mas tem uma taxa de insucesso muito elevada", diz Jones.

A caixa suporta quatro protocolos diferentes de rádio, incluindo Bluetooth e Wi-Fi e uma porta USB. Os fabricantes do dispositivos o compram dos distribuidores por menos de USD$ 100 então os consumidores podem ter uma experiência de uso simples com os seus dispositivos de rastreamento, mesmo se eles não têm uma conexão com a Internet. Os dispositivos que atualmente trabalham com o 2net hub incluem um termômetro, um manguito de pressão arterial, um oxímetro de pulso e um monitor de glicose sanguínea.

Até 2020, haverão 25 bilhões de dispositivos sem fio transmitindo dados, estima a Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Digital. Para acelerar as coisas na área da saúde, um fundo separado da Qualcomm Life investiu muito em startups como a Noom, editor de um aplicativo para quem está tentando perder peso, e Telcare, que fabrica um sistema que diabéticos podem usar para monitorar seus níveis de glicose.

Neste ano a Qualcomm Life pagou uma quantia não revelada para adquirir a Healthy Circles, uma plataforma de "software/serviço" que usa a ideia de redes sociais para coordenar os cuidados com a saúde. Essencialmente, os pacientes enviam seus dados reunidos independentemente para um portal Web que também armazena seus registros médicos, informações sobre os seus medicamentos atuais, e relatórios laboratoriais atualizados. Isso permite que os enfermeiros, médicos e farmacêuticos estejam, literalmente, na mesma página, que o próprio paciente, enquanto obedecendo as regras federais sobre privacidade de dados.

Os cuidados com a saúde sempre ligados podem parecer lógicos, eficientes e espertos como o wireless, mas Jones concorda que ainda está longe da realidade. "No final do dia, algum dos seus provedores de cuidados com a saúde tem que o tornar disponível para você e transformá-lo em uma solução", diz ele, "nós estamos vendendo essa plataforma."

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