Negócios

Esther Dyson: temos que corrigir o Comportamento Saudável

Levar as pessoas a comer bem e fazer exercício é o maior problema não resolvido na área da saúde.

  • Quinta-Feira, 19 de setembro, 2013
  • Por Antonio Regalado
  • Tradução por Christiane Guarino Massuda (Opinno)

Imagem: Anjo da Saúde: Investidora Esther Dyson está estudando novos modelos de negócios para a prevenção de doenças.

A investidora Esther Dyson é uma antiga repórter e analista da Wall Street, que se propõe a combater o que ela chama de "os mais interessantes problemas não resolvidos na saúde e no comportamento humano". No topo da lista está a alta taxa de doenças causadas pela má alimentação e muito pouco exercício.

Em março, Dyson lançou um manifesto descrevendo a nova ideia: criar um desafio entre as pequenas cidades dos Estados Unidos para ver a que mais consegue melhorar a sua saúde, medida por fatores como peso, pressão arterial e dias doentes. O esforço, segundo ela, será impulsionado por dados concretos sobre as melhores práticas de prevenção e tem como objetivo encontrar maneiras de transformar uma boa saúde em uma estratégia com fins lucrativos.

É um projeto de longo prazo e que ainda está à procura de um bilionário lucrativo que seja benevolente, ou patrono para apoiá-la, diz ela. Mas Dyson já colocou alguma base através do investimento em 27 startups de saúde, muitos dos quais estão tentando usar a tecnologia para trazer às pessoas novas percepções sobre sua própria saúde, como a empresa de genética de consumo 23andMe e o site de respostas sobre questões de saúde HealthTap.

MIT Technology Review pediu a Dyson que contasse sobre seus planos.

Por que você está envolvida na prevenção de doenças?

Porque eu odeio ver estupidez. E é por causa da estupidez colossal que as pessoas não são mais saudáveis, pois sabemos como fazê-lo.

Qual é a grande ideia que você teve para ajudar?

Eu apenas fundei algo chamado HICup, que significa Conselho Coordenador de Iniciativo à Saúde. É o meu principal trabalho agora. O objetivo é coordenar cinco ou seis comunidades que vão competir em um concurso para ser a comunidade em que a saúde mais cresceu ao longo de cinco ou 10 anos.

A premissa fundamental é que uma única intervenção na saúde tem um baixo grau de viralidade, elas não pegaram. Se você começar com um programa de intervenção contra diabetes, o impacto desaparece. Mas se você fizer várias coisas, elas se reforçam mutuamente. Você precisa de uma ciclovia, um programa contra diabetes e talvez um monte de ferramentas auto quantificáveis. Se você tiver uma densidade crítica dessas coisas que interagem, elas deverão ter um efeito multiplicador. Queremos provar isso, para que outras pessoas copiem e ganharemos dinheiro fazendo isso.

                                                                                                                         

De quanto tempo é o seu projeto?

Estou à procura de todos os estudos eficazes que eu conseguir encontrar. Infelizmente não há muitos. É fácil encontrar estudos sobre medicamentos e quantas pessoas foram curadas de câncer, mas estou olhando mais para o nível da população com pequenas coisas, o que acontece com o peso médio de uma população se eu colocar uma ciclovia? Nós precisamos desses dados para que possamos construir um modelo para o qual alguém possa olhar e dizer: sim, eu quero gastar meus USD$100 milhões desse jeito, nestes três programas. Vai ser uma história com muita informação.

A ideia é reduzir os gastos médicos?

O desafio na área de cuidado da saúde é cortar o mal gasto e aumentar os bons. Algumas das coisas mais baratas que podemos fazer são apenas mudanças ambientais. Ter um sinal ao lado dos elevadores dizendo "Por favor, use as escadas". É como se, ao invés de promover rosquinhas, você promova palitos de cenoura.

A tecnologia pode ajudar a criar alterações na área da saúde no nível da população?

Uma grande parte disso requer um pouco de tecnologia exótica. O que ela necessita é apoio social e mudanças na dieta. Mas a tecnologia pode ajudar porque é um lembrete, é pessoal e é barata. Esse sinal no elevador pode ser personalizado para dizer "Ei, Esther. Use as escadas, por favor". O meu smartphone poderia dizer "Seu objetivo para o dia é de subir 10 lances de escada e são 21 horas. Como você está se planejando para atingir esta meta?”. Existem dispositivos para lhe dizer quantos passos você deu, a composição do seu sangue e os padrões do sono. Aqueles que são mais pessoais, são os que as pessoas mais se envolvem se forem bem projetados, podem se tornar jogos de modo que você só queira pontos extras e você vai dar mais uma volta no quarteirão para conseguí-los. Nós estamos permitindo que as comunidades escolham quais tecnologias e intervenções querem usar.

Como alguém vai ganhar dinheiro com a prevenção?

A única forma de isso funcionar é se houver dinheiro. O objetivo final da HICup é provar que existe um retorno sobre o investimento, por isso precisamos de um modelo não apenas para o lado da saúde, mas para o financeiro, de onde o dinheiro vem e como você pode conseguir um investidor. Pense em um empregador que gasta USD$500 milhões por ano em cuidados com a saúde, e isso cresce 3% ao ano. Se você concordar e assumir que, para manter as pessoas saudáveis você pode cortar USD$ 50 milhões em custos, bem, você está ganhando USD$50 milhões a mais por ano.

Existe muita ineficiência nos cuidados com a saúde que a tecnologia, se devidamente aplicada, poderia ajudar a melhorar. E assim estão começando as mudanças drásticas nos mecanismos de pagamento dos pacotes de saúde do governo do Presidente Americano Obama. Você será pago pelos resultados na saúde ao invés de atividades [médicas]. Portanto, há muitas oportunidades.

Parece que os cuidados com a saúde e, especificamente, prevenção estão atraindo mais interesse de capitalistas de risco.

Bem, em parte, alguns deles estão ficando velhos e provavelmente começando a perceber sua própria saúde. E isso é um problema que vale a pena resolver. Não é o mais recente aplicativo para encontrar amigos para ir a um show. Sim, desculpe, isso só não me empolga como um desafio.

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