Negócios

Um Anti-iPad Para a Índia

Suneet Singh Tuli, o homem por trás do tablet ultra-barato Aakash 2, diz que o Ocidente não entende o negócio móvel no mundo em desenvolvimento.

  • Terça-feira, 12 de março de 2013
  • Por John Pavlus
  • Tradução por Milena Dropa (Opinno)


Tela barata: Suneet Singh Tuli segura o computador tablet barato que espera alcançar o mercado popular na Índia.

Um sique devoto, Suneet Singh Tuli, 44, encontrou sua própria maneira de viver de acordo com a crença central de sua religião de sarbat da bhala, ou "todos sejam abençoados."

Ele quer que todos na Índia estejam na Internet.

Para isso, a empresa de Tuli em Londres, DataWind, está construindo computadores tablet muito baratos, o qual ela monta na China ou com a ajuda do pessoal de apoio nos seus escritórios na Índia. A ideia, Tuli diz, é emparelhar tablets baratos com o serviço sem fio suportado por propaganda, como forma de fazer uma ponte sobre a divisão digital entre países pobres e ricos.

DataWind começou a ganhar atenção no ano passado, quando fechou um acordo para fornecer ao governo da Índia 100 mil de seus tablets Aakash 2, por cerca de U$ 40 cada, em 31 de março. Esse tablet só funciona perto de pontos Wi-Fi, mas a DataWind também vende uma versão comercial de U$ 83 chamada 7C+ Ubislate, a qual vem com um plano ilimitado de dados móveis para cerca de U$ 2 por mês. Em 18 meses, diz Tuli, ele espera reduzir o preço de um tablet básico para U$ 25 e tornar a conexão com a Internet gratuita.

A empresa de Tuli não é uma instituição de caridade. A DataWind planeja ganhar dinheiro com sua loja de aplicativos própria e por exibir anúncios no seu navegador embutido (que também comprime sites para a sua rápida distribuição pela lenta rede sem fio da Índia). A MIT Technology Review falou com Tuli sobre o modelo de negócios de sua empresa e o futuro da computação por tablet na Índia.

Você disse que nunca pretendeu estar no negócio de hardware. O que quer dizer?

Nós pensamos que o hardware está morto. Um processador gigahertz custa U$ 4. É bom o suficiente para a maioria das coisas que você quer fazer com um tablet, e não apenas para os pobres na Índia. O hardware ficou barato o suficiente para que restaurantes ou resorts forneçam tablets aos clientes gratuitamente. O hardware está se tornando uma ferramenta de aquisição do cliente.

Então os tablets devem ser literalmente descartáveis, como unidades USB flash?

Eu não gosto da palavra "descartável", mas em 2015, você vai ver tablets chegarem ao estágio em que você pode simplesmente escolher um no 7-Eleven. E para os consumidores no mundo em desenvolvimento, os tablets serão o seu primeiro computador.

Fizemos um estudo para entender onde estava o ponto de inflexão para a implantação de PCs nos EUA: quando os PCs realmente decolaram? Nossa avaliação foi que, quando o custo de compra dos PCs caiu para menos de 20% do salário mensal, começamos a vê-los em todas as casas. Em um lugar como a Índia, há cerca de um bilhão de pessoas para as quais U$ 50 atende a esse critério.

A quais novos negócios os tablets ultra-baratos vão levar no mundo em desenvolvimento?

Haverá aplicativos que vão criar oportunidades de bilhões de dólares, mas podemos não compreendê-los no Ocidente ou não sermos capazes de nos relacionar com eles. Minha epifania veio quando eu vi um anúncio de revista na Índia, que mostrou uma minivan com um banco de motorista que poderia ser inclinado em 180 graus. Eu pensei: "Quão besta é isso?" Então eu percebi que a maioria dessas minivans eram usadas como táxis, e os motoristas de táxi, na verdade, dormiam nelas.

Da mesma forma, os aplicativos desses tablets serão muito originais, e eu não tenho certeza de que eu possa compreender o que seriam todos eles. Mas eu espero que se nós possuirmos a plataforma, podemos nos tornar o canal para esses aplicativos e aqueles negócios.

Você está praticamente dando os tablets. Então qual é a sua estratégia para fazer disso um negócio?

O primeiro killer app desses dispositivos vai ser o acesso à Internet. Nós temos 18 patentes sobre como fornecer acesso básico à rede, mesmo em redes GPRS da Índia. A ideia é agregar acesso gratuito à Internet à publicidade em um tablet acessível. A navegação básica, sem streaming de áudio ou vídeo, estará disponível de graça, e nós teríamos um banner publicitário que roda no topo, o qual paga o custo do serviço de dados e nos faz ganhar dinheiro.

O Ubislate vem com acesso gratuito à Internet agora?

Na Índia, o modelo de uso livre não está disponível ainda. Temos o Rs.98 (U$ 1,80), um plano mensal de dados ilimitado. É uma fração do que custam outros planos, e temos a intenção de torná-lo gratuito.

Que novas oportunidades você vê para aplicativos no mundo em desenvolvimento?

Ninguém se concentra no problema da criação de aplicativos para alguém cuja renda mensal é de U$ 200. Essas pessoas não são parte da era do computador ou a era da Internet, a maioria deles não são alfabetizados. Então realizamos competições de aplicativos na Índia para tentar levar as pessoas a pensar a partir dessa perspectiva. O vencedor da nossa última competição foi um grupo de estudantes que projetaram um aplicativo comercial para "Walas frutas", os homens que andam por aí com carrinhos que vendem frutas e vegetais. Estes alunos criaram uma maneira graficamente intuitiva de gestão de uma pequena empresa de vegetais.

Há algo como cinco milhões de Walas frutas na Índia, por isso, se você tivesse um aplicativo para eles, poderia haver um monte de dinheiro a ser ganho.

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