Negócios

Alto Risco em Rastreamento da Internet

Será que o "não rastrear" vai matar a inovação e a publicidade segmentada?

  • Terça-Feira, 05 de Junho de 2012
  • Por Antonio Regalado
  • Tradução por Elisa Matte (Opinno)

Um anúncio na Amazon de um livro de ficção científica do escritor Cory Doctorow recentemente apareceu na tela do meu computador. "Que coincidência!" Pensei ingenuamente. Eu tinha lido uma avaliação feita pelo Doctorow sobre privacidade na Internet (a ser publicado esta semana como parte da série da Business Impact deste mês) e tinha procurado por textos anteriores. Isso foi o suficiente para uma multidão de anúncios começar a me seguir.

Fonte: Stuart Bradford

A história empresarial da nossa história era - a maior história de qualquer espécie, sem dúvida - é como a internet nos conecta. Parte de ser conectado através de tecnologia é ter uma identidade. Isso costumava ser um número de telefone. Na rede, é um endereço de IP ou os cookies do navegador que dizem a outros computadores quem você é.

O problema hoje é que qualquer um pode usar essas ferramentas para rastreá-lo. Gary Kovacs, CEO da Mozilla, apresentou recentemente Collusion, um adicional ao navegador Firefox da empresa que permite que você veja quem são esses qualquer uns. Kovacs diz que uma miscelânea de 150 entidades estava rastreando a sua atividade após um dia de navegação na web. Esta multidão de vendedores ambulantes e redes de publicidade estava seguindo sua filha de nove anos de idade, também.

Algumas pessoas acham que esse rastreamento é assustador. Kovacs é um deles. Ele diz que quando entramos na Internet, somos como João e Maria deixando migalhas de informações  - de aniversários, histórias financeiras, status de relacionamento - "em todos os lugares que nós viajamos através da selva digital." 

É uma história assustadora, mas com o que estamos realmente preocupados? Na nossa época de imagens de satélite e Street View e misturas de dados, o conhecimento é cada vez mais granular. É cada vez mais difícil de ter privacidade, de ser "isolada" no sentido mais literal dessa palavra. Há agora um movimento para dar às pessoas uma escolha. No início deste ano o presidente Barack Obama aprovou "não rastrear", uma tecnologia de navegador que limitaria rastreamento e potencialmente bloquearia anúncios como os da Amazon, que te afronta com seu histórico de navegação.

Esses anúncios são um negócio multibilionário. Ao mesmo tempo, o diretor executivo de privacidade da Microsoft diz que o próximo Internet Explorer 10 será o primeiro navegador a ter o "não rastrear" ativada de forma padrão. Para a Microsoft, a confiança é a maior vantagem competitiva.

Antes de você comemorar, você pode perguntar se há algum dano real no rastreamento comercial. Apesar da inquietação, não é tão fácil encontrar pessoas que foram feridas pela coleta de seus dados pessoais. Basta perguntar aos advogados que têm trazido um numero enorme de processos de privacidade. No início, os tribunais rejeitaram a classe de reivindicações, que não podiam mostrar "lesão de fato".

Recentemente, os reguladores adotaram uma visão mais expansiva. A Comissão de Comércio Federal agora diz que danos relacionados a privacidade não precisam ser econômicos ou físicos, mas também pode incluir práticas que "inesperadamente revelam informações anteriormente privadas", como hábitos de compra. Isso está abrindo as comportas legais. Facebook enfrenta uma ação que alega ter violado leis de escuta e busca indenização de USD $ 15 bilhões – aproximadamente o que a empresa levantou em seu IPO. A Revisão da Lei Nacional calcula que o Google poderia dever USD $ 800 bilhões em multas ao governo por contornar as configurações de privacidade do Safari.

Agora que os advogados estão envolvidos, você estaria certo a se perguntar se alguma empresa é útil na mira. A resposta, para alguns, é sim - e que a empresa é a inovação. Por exemplo, uma equipe de 12 pessoas de Ciência de Dados no Facebook está sentado sobre o maior tesouro de dados já coletados sobre o comportamento humano. Isto poderia produzir "algo grande" - mesmo que ninguém saiba o que ainda.

Ele certamente vai resultar em anúncios mais direcionados. Mas e daí? Os anunciantes não são muito ouvidos neste debate. O fato é que, se você formular a pergunta certa, muitos consumidores vão admitir que eles realmente querem anúncios direcionados.

Agora que penso nisso, talvez eu compre esse livro do Doctorow. Obrigado pela ligação, Amazon.

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