Fonte: Nick Reddyhoff

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Conflito Conectado

A Internet ampliou, mas não criou a bravura que libertou a Líbia.

  • Maio / Junho 2012
  • Por Moez Zeiton
  • Tradução por Elisa Matte (Opinno)

Em julho do ano passado, viajei para as Montanhas Nafusa da Líbia, cerca de 150 quilômetros a sudoeste de Trípoli, com um grupo de médicos expatriados líbios. Nós ajudamos a equipe médica local montamos hospitais de campo móveis sempre que uma frente armada surgia, prestação de cuidados de trauma, de suporte de vida e primeiros socorros.

Recursos eram limitados ao longo das montanhas, com equipamentos disponíveis apenas através da fronteira Dheiba-Wazin entrando na Tunísia. No entanto, tivemos uma outra linha de fornecimento que era menos tangível. Jovens locais configuraramm centros de mídia conectados à Internet em quase todas as cidades para documentar e catalogar fotografias e vídeos e rastrear eventos em sua região. Os centros também atuaram como bases de proxy para os jornalistas e correspondentes internacionais que visitam a região e ajudaram a espalhar a nossa história em todo o mundo (ver "poder popular 2.0").

Os centros de mídia tinham equipamentos básicos: PCs simples e câmeras digitais. Mas os jovens líbios eram criativos, editando as imagens do conflito em montagens enviadas para os canais mais populares do YouTube e Facebook.

Como os líbios assistiram à Tunísia e o Egito explodir em protestos, nós sabíamos que a nossa própria revolução seria menos conectada. Imprensa livre era inexistente na Líbia, que a penetração da Internet era muito baixa e que os poucos meios que existiam haviam sido perseguidos pela censura. O regime de Kadafi acentuou isso impondo um blecaute completo da Internet.

O apagão não parou os centros de mídia, no entanto. Equipamentos de satélite foram utilizados para carregar as imagens e manter-nos e os jornalistas a par da situação em outras áreas do país. Permitiu também que os líbios comunicassem a expatriados grandes necessidades.

Mesmo nessas condições difíceis, todas as cidades de médio porte das montanhas de Nafusa tinha um centro de mídia de algum tipo. A maior foi em Zintan, onde todos os correspondentes internacionais gastaram pelo menos algum tempo e receberam alimentação gratuita e  acesso (muito lento) à Internet. Uma cidade, Nalut, até operou uma estação de rádio depois de assumir um prédio usado por Saif Kadafi, filho de Muammar, equipado com um estúdios de rádio moderno.

O termo "revolução Facebook" tem se tornado comum conforme a comunidade internacional tenta transformar as atividade na Líbia e em outros lugares em um evento histórico compreensível. Os líbios não arriscaram suas vidas pela liberdade de expressão e dignidade por causa da Internet, Facebook, ou Twitter, mas essas tecnologias criaram um canal vital através do qual se comunicar com o campo de batalha. Isso tornou essas revoluções diferentes de todas as que vieram antes, mesmo na Líbia, que superaram outras nações da região tecnologicamente. Para a comunidade internacional, o efêmero, fluxo em tempo real possibilitado pela tecnologia forneceu a narrativa mais atraente. Pode não ser certo para os líbios rotular a sua revolta uma "revolução Facebook", mas o termo pode ser apropriado para os espectadores ocidentais.

Moez Zeiton é um médico e um membro fundador do Instituto Sadeq, um novo “tanque de pensamento” em Trípoli.

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